FERNANDO TEIXERA

O homem é sua obra

A trajetória do ator, diretor e dramaturgo FERNANDO TEIXERA, se confunde em muitas passagens com a própria história do teatro paraibano, pelo menos, na sua mais importante fase, a partir da década de 1960 até os dias atuais. Ele é hoje considerado o nome vivo mais importante do teatro paraibano sendo um dos atores mais respeitados do estado.

Basta dizer que a primeira montagem do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, foi encenada pela primeira vez na cidade de João Pessoa sob a direção de Fernando Teixeira. Esta montagem do Auto teve aprovação do próprio Ariano, que disse ter visto a completude de sua dramaturgia nas mãos talentosas do diretor e amigo paraibano Fernando Teixeira.

Trás Ontonte

As memórias de mais de 60 anos de carreira artística, seja como ator de teatro e cinema, diretor e dramaturgo constam agora escritas na autobiografia do artista, por ele intitulada “Trás ontonte”, que, com grande generosidade transita por seus mais importantes momentos de criação teatral desde, o aprendizado com mestres como Eugênio Kusnet, Zé Celso no icônico teatro oficina em 1966, passando pela atividade de encenador, diretor e professor na UFPB, quando fundou o Curso de Teatro, NTC-Núcleo de Teatro Universitário e o Teatro Lima Penante, passando pelo Grupo Bigorna: (Papa Rabo, Fogo Morto, Anaíde, Mort´e famme, Quinze Anos depois, Esparrela), até as recentes passagens pela tv e cinema (Aquárius, Bastio das Bestas, Velho Chico), corolário que faz de Fernando Teixeira um ícone do teatro paraibano.

É nessa visada de pertença social que Trás Ontonte se insere, objetivando revelar compartilhamentos singulares sobre a vida e obra da produção teatral da Paraíba, por meio da prosa memorialista de Fernando Teixeira. Em última instância, os acontecimentos e fatos trazidos pela escrita autobiográfica de Fernando, revelam o status simbólico e cultural de João pessoa, cenário onde tudo isso ocorreu.

Em resumo, Fernando criou, escreveu, e encenou peças teatrais que de tão importantes, formam a própria história do teatro paraibano, como pode-se perceber no livro: “Quarenta anos do teatro paraibano”, de Edinaldo do Egypto publicado em 1988; em que grande parte do que ali é contado tem protagonismo a figura do diretor Fernando Teixeira. Mais recentemente seu nome é tomado na tese de doutoramento do professor e diretor Duílio Cunha, como artífice da “cena tabajara”.

A autobiografia é o devir do ser

Como se sabe, a biografia e a autobiografia é um gênero do discurso em que as histórias ou narrativas de si, são socializadas possibilitando à sociedade reconhecer e ter acesso às mais diversas histórias de vida de indivíduos cuja vida em si intercruza a vida social, trazendo com isso traços identitários e culturais.

No plano filosófico a autobiografia é uma categoria epistemológica que visa a compreensão de sentido que revelam a relação de manifestação entre a vida individual do homem e a história. Wilhelm Dilthey assevera que na biografia a vida do homem pertence a uma dada estrutura política, com isso, a vida particular investigada cientificamente constitui um caminho de acesso a um tempo histórico.

Nos termos da “teoria do indivíduo narrativo” de Alasdair MacIntyre, as histórias individuais não podem ser rigorosamente separadas da história social, pois todas elas se limitam e se completam reciprocamente. Assim, a história, entendida como um conjunto de narrativas entrelaçadas, é fundamental para a formação da identidade do indivíduo, para a existência do eu. Para responder à pergunta quem sou eu? É preciso saber de qual história faço parte.

É nessa visada de pertença social que Trás Ontonte se insere, objetivando revelar compartilhamentos singulares sobre a vida e obra da produção teatral da Paraíba, por meio da prosa memorialista de Fernando Teixeira. Em última instância, os acontecimentos e fatos trazidos pela escrita autobiográfica de Fernando, revelam o status simbólico e cultural de João pessoa, cenário onde tudo isso ocorreu.

Presentes Teatrais

Fernando está por trás – e pela frente também – das atividades do Grupo de Teatro Bigorna cuja fundação data de 1968. O Bigorna é o inconsciente político e estético de Fernando posto a nu e socializado em várias frentes: pesquisa da linguagem cênica, formação de atores e encenação de espetáculos teatrais.

A longevidade do trabalho de Fernando no campo teatral, por meio do Grupo de Teatro Bigorna dão conta do profundo respeito que ele tem com a sua verve criativa. Como uma máquina de fazer espetáculos Fernando nos presenteia compondo um repertório de montagens teatrais consideradas históricas para o teatro da Paraíba e de João Pessoa.

Em síntese: Trás Ontonte revela em detalhes os bastidores, as alegrias, as dores, a superação e a satisfação de um homem dionisíaco, vivo, pleno e intenso.

Assista o documentário “Papa Rabo”  sobre os 40 anos da peça dirigida por Fernando Teixeira no Playcimm

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